Por que eu preciso de um computador novo


Quem está mais próximo do meu dia-a-dia sabe como eu reclamo sobre o meu computador, que chamo erradamente de PC. Descobri que este termo está errado quando você quer se referir a um computador portátil, como um notebook. Sei lá, para mim todo PC é PC independente do formato.

Meu principal dilema com o dito cujo é que o tenho desde 2008, ou seja, já são cinco anos de uso intenso. Ele passou comigo pelo pré-vestibular e já estou acabando a faculdade. Nesse período desenvolvemos relações de amor e ódio, mas mal ou bem ele sempre me foi útil e funciona. 

"Funciona".

Essa é uma definição complicada para o nosso tempo. Não queremos mais que as coisas simplesmente sejam úteis e "funcionem". Queremos o mais moderno, o mais bonito, a novidade do momento, o mais rápido... De fato, como "habitante da cidade grande", eu quero que tudo aconteça na velocidade em que o mundo está rodando lá fora. 

Há dez anos um vídeo de três minutos que demorava cinco só para carregar era algo extraordinariamente BOM. Porém, com o tempo a espera passou a ser cansativa e sem sentido: "Por que gastar mais tempo esperando para ver o vídeo do que vê-lo?".  

Simmel, sociólogo alemão, fala sobre a "vida nervosa" recheada de coações impulsionadas pelas mudanças rápidas e ininterruptas nas interações nos tornando cada vez mais indivíduos objetivos. E é essa objetividade que busco quando uso alguma tecnologia, mais do que simplesmente funcione (como esse "PC" que estou usando no momento) eu quero que seja rápido, que não trave, que me permita fazer mil coisas ao mesmo tempo... Por que?

Eu comprei um máquina de escrever no ano passado pensando no quanto eu usaria esse objeto que sempre almejei, mas... Ah! O habitante da cidade grande fruto da modernidade que sou... Mal a uso, porque ela precisa de toda minha atenção ao digitar cada letra, pois não tem opção "deletar", ela tem uma fita de tinta nada prática, só duas opções de cores... Mas há quarenta anos com certeza não pensavam assim. Se o dono dessa máquina naquele tempo pegasse o meu PC, que tanto reclamo, iria achar a máquina mais surpreendente do mundo. 

Não que o ex-dono da máquina já não fosse um habitante da cidade grande com suas tensões e necessidades de rapidez para conseguir seguir o ritmo do relógio do mundo capitalista e já andava a passos firmes no movimento de globalização. 

A questão, o porque disse falatório todo, ou evocação de termos e pensamentos sociólogos... As vezes tento me culpar pela necessidade de coisas melhores e mais rápidas, pensando que isso se trata de um mero capricho, mas não! Vivemos numa sociedade que a todo momento nos coage a ser "mais" e consequentemente querer "mais e mais". Novas tecnologias são lançadas a todo momento, infelizmente tudo acaba ficando "mais" obsoleto com "mais" rapidez, mesmo que ainda "funcionem". 

Não vou começar a entrar no assunto sobre capitalismo e a indústria de tecnologias (nem tenho conhecimento suficiente para isso)...

Enfim, escrevi tudo isso para dizer o quanto quero, preciso, necessito de um PC novo, pois sou refém desse mundo que anda cada vez mais rápido. Mas enquanto não o tenho, me utilizo de preservativos contra as coações da vida nervosa através do caráter blasé*.

*O principal preservativo apresentado por Simmel é caráter blasé, onde o habitante se protege dos diversos impulsos da cidade grande agindo de forma indiferente. 

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