Você escreve e mais o quê?

Hoje é feriado, dia do trabalho e eu estou fazendo que gosto mais: trabalhando com LITERATURA na Feira de Poços de Caldas! Aproveitei esse feriado que fala sobre trabalho para debater um pouco sobre aquela pergunta que eu ouço sempre: "você é só escritora ou trabalha também?". Ora essa, meu querido, desde quando escritor não é trabalho? E o que caracteriza seu um escritorO que distingue uma pessoa que escreve por hobby por necessidade, ou só por escrever da pessoa que ama as letras mais que tudo na vida, e sabe que sem elas nunca vai poder viver? Há uma nomenclatura distinta para cada uma delas? Qual das definições é a de um verdadeiro escritor? Ser escritor é algo que nasce com a gente, quase uma característica genética ou é algo mutável, que a gente adquire com o tempo?






Pedi ajuda ao meu amigo Aurélio. Ele me disse: "escritor: (ô) sm. Autor de obras literárias e/ou científicas."

Hum... Autor? Então há distinção entre autor e escritor? Pensando ter achado as duas nomenclaturas que separavam o joio do trigo, perguntei a ele o que achava de autor. Ele me respondeu: "autor (ô) sm. 1.A causa principal, a origem de. 2.Criador de obra artística, literária ou científica. 3.Aquele que intenta demanda judicial."

Ah, tá. Mesmo que Aurélio seja muito sábio na maioria das vezes, dessa vez sua utilidade foi nula. Eu ainda estava com aquela minha pulga atrás da orelha, e sem saber mais o que fazer, pedi ajuda ao Google. A primeira página que ele me mostrou quando eu digitei escritor foi a da wikipédia. Logo em seguida veio a do site da Thalita Rebouças... Aquela parte, onde ela dá dicas pra quem quer se tornar (e dá pra se tornar?) um escritor.

Wikipédia foi mais safa e me fez entender as diferenças entre escritores e hm, os outros. "Escritor é o artista que se expressa através da arte da escrita, ou, tradicionalmente falando, da Literatura. É autor de livros publicados, embora existam escritores sem livros publicados (chamados de amadores)."

Então é isso aí. A diferença toda não era a que eu imaginava. A distinção não está no como ou no por que escreve. Mas sim no fato de ser publicado ou não.

Só que isso não me agradou. Não gostei dessas alcunhas. Resolvi que ao meu ver é diferente.
Como sempre. Eu sempre tenho que fazer as coisas do jeito alternativo, impressionante. (Mesmo que muitas vezes esse jeito alternativo nem exista. Mas fazer o que? Adaptar-me ao que acho errado? JAMAIS. A gente cria).


Escritor, pra mim, tem que ser sinônimo de apaixonado.
Apaixonado, adjetivo que vem de Apaixonar. Apaixonar, que segundo meu velho Aurélio (dessa vez bem sábio!) significa: "Inspirar paixão. Entusiasmar. Consternar. Prostrar. Encher-se de paixão". E é isso aí. Só quem ama entende. E só quem é sabe.

Não é pelos méritos fúteis do mundo capitalista e imediatista que uma profissão (profissão sim, tá?) como escritor deve ser medida. É pelo imaginário, o irreal, o ideal e o coração. Afinal, tudo dentro daquelas páginas de história não é parte do escritor? Do coração, da alma, do subconsciente, consciente... Pedaços de verdade. É um pedaço de quem escreveu que a gente está levando debaixo do braço, dentro da bolsa... E não é mesmo o objetivo do livro nos deixar apaixonados, fascinados? Claro! Porque quem escreveu é um ser apaixonado. Constantemente apaixonado por escrever, acima de todas as inconstâncias de um ser humano.


É preciso ter muita coragem para assumir a vontade de transformar esse amor em profissão. Não só por conta dos julgamentos sociais, mas especialmente porque o caminho é difícil e cheio de pedras. No meio dele você vai se questionar muitas vezes porque não seguiu o conselho da sua tia e virou advogado. E vai esquecer disso no momento seguinte, quando alguém fizer uma resenha linda do seu livro. É melhor ser um escritor de profissão, dedicado e esperando os louros que virão do trabalho duro do que um advogado frustrado, que passa o dia trancado no escritório, com a mente longe, longe... Lá no mundo das ideias, sofrendo porque queria escrever livros e não petições.

Comentários

  1. Oi vida,

    nossa você disse tudo! Realmente, as vezes precisamos sair da caixa e deixar esses esteriótipos de lado e seguir nosso coração. E mais que isso, todo escritor precisa aprender a se valorizar e mostrar para o mundo que ele existe como profissional. Parabéns pelo post e força na sua luta pela realização de um sonho!

    beijos

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