Canal da Sophie Kinsella

Qualquer leitor que conhece o PN desde 2015 sabe o quanto eu adoro a autora Sophie Kinsella. Agora em maio, a Editora Record lançou o Minha Vida (não tão) Perfeita. Mas foi através do anúncio de um novo livro, que será lançado em 2018, que eu fiquei sabendo da existência do canal dela.


Até agora a autora tem apenas quatro vídeos postados no YouTube. No entanto, já é possível ver que o seu bom humor não fica apenas nos livros. Em um deles, Sophie faz uma comparação entre espiões e escritores. E o primeiro vídeo foi uma tentativa da autora falar em italiano para agradecer aos fãs que ela encontrou em sua turnê pela Itália.
Surprise Me foi o foco do último vídeo. Ela disse que tinha acabo de terminar de escrever o livro e queria dividir essa alegria com a gente. A história é sobre um casal que ao se darem conta que terão muitos anos juntos pela frente decidem que precisam surpreender um ao outro todos dias (se eu não entendi errado). Mas como estamos falando de Sophie Kinsella é claro qu…

5 momentos que eu quis desistir

Se existe alguém que pensa que vida de escritor é linda e cheia de flores, por favor, pare. A gente sofre muito também. Às vezes tem uma vontade DANADA de jogar tudo para cima e desistir. Por isso resolvi fazer essa coluna especial hoje, explicando quais foram (ou são), até agora, os cinco momentos que mais me dão vontade de desistir de tudo.

1) Minha primeira editora
Minha primeira editora foi uma tristeza que durou quatro anos desde a assinatura do contrato até a publicação do livro. Depois disso, a tristeza continuou. Em linhas gerais, o que aconteceu: recebi um convite dessa editora para publicar o livro. Aceitei sem nem procurar mais nenhuma (arrependimento...), porque nem sequer pensava em publicar meu livro na época. Tive que ir até São Paulo assinar o contrato. Assinei, ele era lindo e parecia perfeito... Mero engano. A editora descumpriu praticamente todas as cláusulas do contrato, inclusive no que tange ao período de publicação. O que deveria ter sido publicado em no máximo 1 ano, demorou quatro. QUATRO ANOS. Chorei muito, gente. Passava meses sem a menor notícia deles e, toda vez que eles apareciam, era com uma notícia ruim. Nesse meio tempo, eu desisti de tudo. Até de escrever. Não tinha mais esperanças, nem crença de que valia a pena. Lá pelas tantas, quando eu já tinha desistido, entrou uma menina nova na editora que agilizou TUDO e conseguiu imprimir o livro no final de 2013. Os problemas não acabaram por aí, porém. Em 2014, a editora resolveu descumprir o contrato mais uma vez e dizer que "não estava em condições de comercializar o livro no momento" e pior, "que não sabia quando essa condição iria se normalizar e possibilitar o comércio". Eu já tinha esperado QUATRO ANOS! Conclusão? Tive que pedir dinheiro emprestado para a FAMÍLIA TODA (e ainda estou devendo dinheiro para eles) para comprar a tiragem do livro e comercializar por conta própria. Meu contrato com essa editora se encerrou em Janeiro desse ano, quando também assinei o contrato para a segunda edição com a Editora Garcia (que amo). Todavia, meus problemas com a primeira editora continuam até hoje. Vira e mexe eles ressurgem do além com alguma notícia ruim.



2) Quando escrever afeta minha timidez
Acho que um dos motivos que me levou a gostar de ler e escrever tanto assim foi, justamente, o fato deu ser muito tímida e introspectiva. Sei que não parece, mas vocês não tem ideia de como eu mascaro bem meus sentimentos. São mais de 20 anos vivendo assim, rs. Muitas vezes minha timidez me faz ter vontade de desistir da carreira. Eu queria vender livros, não queria me expor! Com o passar do tempo e da experiência, melhorei bastante. Hoje lido (quase) bem com situações que me expõe diretamente e afetam a minha timidez.

3) Faculdade x bloqueio
Eu passei quatro anos basicamente sem escrever uma linha. Foram os quatro anos do contrato e também os quatro anos que passei na faculdade. Eu fazia duas faculdades ao mesmo tempo e ainda estagiava. Aliando isso a minha falta de motivação proveniente da primeira editora, dá pra imaginar porque eu nunca escrevia anda. Às vezes eu até tentava, mas sentia como se estivesse escrevendo uma monografia e não um texto literário. Foi preciso muito treino para voltar a minha forma. Exercício de escrita criativa, livros do gênero que eu escrevo e filmes! Haja inspiração para voltar a ser do meu jeitinho de sempre... Até hoje acho que não me recuperei totalmente, mas estou me recuperando!

4) Mercado x amor
Acho que eu já disse isso aqui na minha coluna de coisas que eu queria que tivessem me dito antes, mas continua sendo verdade. O mercado literário não é nada fácil e, muitas vezes, eu me sinto péssima. O relacionamento de um autor com sua obra é de um amor tão profundo e verdadeiro que é muito difícil conseguir enxergá-la como um mero produto, que é como o mercado precisa, gosta e quer enxergá-la. Essa dicotomia me mata por dentro, especialmente porque eu sinto que estou comercializando a mim mesma. Claro que eu entro na dança, faço o que é requerido, mas que às vezes bate uma tristeza, isso bate.

5) Saudades dinheiro $
Se tem alguém que pensa que vida de escritor iniciante no Brasil é cheia de dinheiro e luxos, pense novamente. Eu nunca passei tanto aperto financeiro antes!!! Gente, é muito difícil. Fazer uma boa promoção do livro, dar brindes, estar em eventos, participar das Bienais... Tudo isso custa DINHEIRO. Isso quando não custa dinheiro simplesmente IMPRIMIR os livros, né? Esse dinheiro raramente é totalmente fruto das vendas. Não sei se vocês sabem, mas uma venda feita através da editora dá para o autor 10% de direitos autorais. Isso quer dizer que, de cada meu livro vendido por R$38,00 eu ganho R$3,80. Sabe quantos livros eu teria que vender para conseguir pagar um estande na Bienal do Livro do Rio, se fosse usar só o dinheiro do livro? MUITOS. MUITOS MESMO. Mais que 150! E sabe como é difícil vender livros num mercado onde ninguém nunca ouviu falar de você? Pois é. Esse é o principal motivo que continua me fazendo querer desistir. É horrível não ter dinheiro para nada, nem para ir ao cinema. É horrível essa sensação de preciso-arrumar-um-emprego-urgente-para-pagar-os-livros. Mas enfim, não vou desistir.

E não vou desistir porque ser escritora, de carreira, é um sonho meu desde que me lembro por gente.
Eu já passei por tudo isso, então não vou desistir.
De sonho a gente não desiste.
Ouviram? Então tá.



Comentários

  1. Puxa, não sabia de todos esse problemas da vida de escritor. Legal você colocar isso aqui para que as pessoas parem de romancear as situações da vida, fazendo tudo parecer só flores. Parabéns pela persistência e sucesso aí!
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Que bad essa sua relação com a primeira editora. Caramba, é revoltante mesmo! Quando voceu for uma escritora famosa e rica, mete um processo neles.
    Sou amiga de escritores, então tenho uma noção de como é as coisas por trás de tudo, mas você foi nem clara, eu não tinha tanta noção assim.
    Não desista, é seu sonho. Tudo vai dizer para você desistir, mas não desista.

     Minhas Impressões

    ResponderExcluir

Postar um comentário