Canal da Sophie Kinsella

Qualquer leitor que conhece o PN desde 2015 sabe o quanto eu adoro a autora Sophie Kinsella. Agora em maio, a Editora Record lançou o Minha Vida (não tão) Perfeita. Mas foi através do anúncio de um novo livro, que será lançado em 2018, que eu fiquei sabendo da existência do canal dela.


Até agora a autora tem apenas quatro vídeos postados no YouTube. No entanto, já é possível ver que o seu bom humor não fica apenas nos livros. Em um deles, Sophie faz uma comparação entre espiões e escritores. E o primeiro vídeo foi uma tentativa da autora falar em italiano para agradecer aos fãs que ela encontrou em sua turnê pela Itália.
Surprise Me foi o foco do último vídeo. Ela disse que tinha acabo de terminar de escrever o livro e queria dividir essa alegria com a gente. A história é sobre um casal que ao se darem conta que terão muitos anos juntos pela frente decidem que precisam surpreender um ao outro todos dias (se eu não entendi errado). Mas como estamos falando de Sophie Kinsella é claro qu…

Uma carta para minha consciência

Eu não estou escrevendo essa carta para você. Eu acho que passei a maior parte do nosso relacionamento tentando fazer você enxergar o meu ponto de vista, tentativas em vão e que acabavam em olhares de repreensão, silêncios e "palavras difíceis" que você usava como forma de mostrar sua superioridade.

Parece que é fácil chegar agora e reclamar de tudo. Não querendo me fazer de "madre teresa", mas eu juro que tento guardar os momentos bons dentro de mim. O problema é quando os momentos bons tentam apagar o lado ruim da história - talvez eu entenda porque você demonizava tanto a sua ex, e acredito que agora seja a minha vez de carregar os chifres e o tritão. Bem, cada um tem o seu jeito de lidar com os problemas. 

Foram bons anos, fizemos muitas coisas legais, acho que até nos amamos verdadeiramente, de alguma forma. Só que eu me sentia tão julgada durante o relacionamento: por minha escolhas, pela minha história, pelo meu jeito, pelos meus problemas... Chegou em um determinado ponto que eu me sentia mais julgada do que amada.


Não estou querendo jogar a culpa toda em você. Sinceramente? Não vejo um culpado nessa história. Eramos apenas dois jovens tentando ver até onde ia.

Eu me sentia sozinha muitas vezes, ignorada e desvalorizada. Não vou citar situações, mas esse sentimento que você despertou em mim, refletiu no jeito que comecei a te tratar depois de um tempo. Mesmo acreditando que "chumbo trocado não dói", eu me sentia mal, não parecia certo. Mas eu não conseguia ser eu mesma do seu lado. Eu estava cansada de tentar maquiar os meus problemas para que eu pudesse correspondesse o mínimo das suas expectativas, só para você simplesmente não me abandonar.

Você queria que eu mudasse situações que estavam muito além do que eu verdadeiramente podia mudar. E claro, você "aceitava" e ao mesmo tempo deixava claro o quanto era decepcionante. Eu me vi diversas vezes durante o relacionamento pedindo perdão de como eu era, de como eram as regras na minha vida. Eu pedia o seu perdão como se eu tivesse escondido de você todos os meus problemas e você tivesse que lidar com eles como se fosse um grande sacrifício.  

Eu juro que não entendia que saudade era essa que você sentia de mim onde depois que parávamos para conversar não tínhamos nada para falar, onde uma hora era o suficiente para por o papo em dia. Eu não entendia porque você culpava a sua ex por coisas que ela demandava de você e que eu também queria, mas não podia pedir mais um sacrifício para você. Eu não entendia porque você omitia tanta coisa de mim. Eu não entendi porque em toda discussão você vinha com suas palavras prontas e super eruditas usando como se fossem socos ingleses. Eu não entendi muitas coisas e não consegui falar com você sobre isso. 

Até que um dia eu consegui. Eu falei tudo, absolutamente tudo que eu achava. Eu acho que até peguei pesado com você. Mas sabe quando você vem recebendo tanto "soco na cara" calado e na primeira oportunidade que você tem para revidar usa uma força desproporcional? E nesse momento era para ser o fim. Mas tentamos de novo, já cheios de cicatrizes e dedos apontados um para o outro.

Hoje, eu vejo as coisas bem diferentes, por isso não te culpo pelas coisas ruins e como tudo acabou, mas eu também não me culpo. Desculpa, mas as coisas que você fez por mim não foram um grande sacrifício. Eu só simplesmente não atendia as suas expectativas.

Mesmo depois do nosso último término definitivo, e você sabe disso, eu ainda tinha alguma esperança dentro de mim de que íamos amadurecer como pessoas e quem sabe... O futuro estava logo ali. Eu ia superar os meus medos e inseguranças que deixei crescer dentro de mim enquanto estávamos juntos e quem sabe conseguiríamos finalmente atender um a expectativa do outro. Mas você continuou me julgado de todas as formas e principalmente da sua forma favorita, me intimidando com suas palavras e jogando um peso nas minhas costas que eu não tenho obrigação de carregar.

De qualquer forma, eu agradeço você pelos momentos bons, pelas risadas e por muita coisa que aprendi com você. Eu ainda não sei o que busco em um relacionamento, mas hoje eu sei o que eu não busco.

Comentários

  1. Faz tempo que não entro no seu blog. Hoje entrei e dei de cara com este post maravilhosamente sincero. Ainda mais sobre um assunto que eu tive muita curiosidade de te perguntar, mas nunca o fiz. Achei brilhante você pôr isto pra fora. Eu já passei por isso diversas vezes e sei como é bom exteriorizar. Mas sabe, nina, a culpa existe, sim. É culpa do ser humano de aceitar para si algo que não é seu. Se eu, por exemplo, sou extremamente pontual, como posso acreditar que pode dar certo um relacionamento com uma pessoa que sempre atrasa? Você ter que pedir perdão por ser quem você é? Que tipo de relacionamento é este? Não tenho muitos anos de vida, nem muuuuuitas experiências, mas depois de tanto sofrer eu percebo que relacionamento é para acrescentar, é para buscar uma pessoa que atenda às suas expectativas sem que você tenha que mudá-la, pois temos que combinar uma coisa: mudar alguém não é certo, e muito menos mudarmos a nós mesmos por alguém. Cadê a nossa própria essência? Se eu não amo e valorizo a mim mesmo, não consigo ver como posso amar outra pessoa e menos ainda que alguém possa amar uma carcaça feita de mim mesmo. Não estou falando tudo isso para julgar. Longe de mim querer fazer isso, não sou ninguém para falar o que é e o que não é certo. Mas creio que eu esteja falando isso para que haja uma reflexão e você, que é uma pessoa que eu gosto enormemente e tenho um carinho imenso, possa descobrir quem você é e dar exatamente isso para a pessoa. Se você gosta de ir pra balada com um short curtíssimo, acha certo deixar de fazer isso por causa de alguém? Que relacionamento abusivo é este? Veja dois videos no youtube que indico, pois eles, apesar de ter um tom até de humor, fala bastante coisa que eu, pelo menos, me identifico. São estes "teoria da peneira" e "não tira o batom vermelho", do canal joutjout prazer.
    Sei que meu comentário ficou bem confuso, mas espero que você entenda.
    Amor é troca, e não compartilhamento. Afinal eu posso compartilhar algo com alguém, mas isso não me garante nada. Na troca vai um e volta outro...

    . andré

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E você ainda tem coragem de dizer para eu não ficar brava com seu comentário?
      Eu adorei e é exatamente disso que preciso, sabe, um choque de realidade. As vezes a gente fica muito perdido nos nossos mundinhos fantásticos e esquecemos de enxergar a realidade como é. Eu sou tipo de pessoa que precisa por para fora, principalmente escrevendo, já que tenho muita dificuldade em me expressar oralmente, acho que muito em parte por me sentir tão intimidada no meu último relacionamento. Hoje, eu estou trabalhando nisso e consigo conversar melhor sobre os meus problemas, mas ainda assim sinto alguma dificuldade. E escrever sempre foi minha válvula de escape.
      Eu conheco esse vídeos da Jout Jout e acho ótimos. Eu escrevi um Post sobre "relacionamentos abusivos" que será publicado no final do mês. Eu ia programar esse aqui para depois, talvez em outubro, mas eu precisava me libertar.
      Obrigada pelo carinho de sempre! :****

      Excluir
  2. Que bom quando se consegue falar.
    Falar tudo sinceramente que incomoda e pra pessoa que tem que saber.
    Essa é uma das experiências mais libertadoras da vida: dizer tudo o que sente.
    Mesmo que para o outro não faça a diferença, o que vale é a sua paz.

    Não dá para culpar ninguém realmente, porque tudo o que se faz é por escolhas e haverá um momento onde se saberá, a gente sempre percebe, quando não se corresponde mais, em vários aspectos.

    Cada relacionamento é uma lição né... Aprender sobre as pessoas e saber colocar cada uma delas no lugar que deve, a permissão de como elas devem entrar e permanecer na nossa vida, é a gente que escolhe e isso é ótimo.

    Eu sempre desconfio e até mudo de opinião sobre alguém quando o assunto é a ex, sempre meço o caráter do cara por isso, ali só tenho uma versão e não julgo e nem acredito absolutamente sabe...

    É assim mesmo, vivendo e aprendendo, graças a Deus :)

    ResponderExcluir
  3. Uau... Que texto. Tenho certeza que vale para todo mundo que passar por aqui. Esse tipo de relacionamento serve pra nos fazer crescer e quem não passou por um desses, vai passar ainda! Assim espero.
    É uma enorme lição de vida! Vc arrasou colocando tudo pra fora e espero que as pessoas certas passem por aqui! Beijos

    ResponderExcluir

Postar um comentário