Minha lista de desejos para Bienal do Livro (Autorxs)

Quem segue o Instagram da Bienal do Livro do Rio, já está sabendo de algumas confirmações de autoras e autores que estão no evento desse ano. Mas como não custa sonhar, eu vou dividir com vocês alguns das pessoinhas internacionais que eu gostaria de ver por aqui.

Irlanda: Book of Kells

Estavam com saudade da coluna sobre a Irlanda? Eu estava morrendo! Como já falei em alguns posts, os meus relatos do intercâmbio já acabaram, então, a partir de agora irei trazer para vocês mais informações sobre a cultura irlandesa. O primeiro item que apresento para vocês é o "Book of Kells", um dos símbolos mais importante do país. 

Amplie a foto para ver melhor os detalhes!

O livro foi escrito há mais 1000 anos e contém 4 evangelhos ricamente decorados. Ele foi feito por monges que na época viviam em comunidades onde destinavam as suas vidas ao estudo do mundo de Deus, jejuns e trabalhos manuais. 

O livro de Kells é associado ao nome de St Colum Cille (521-597 d.c.) que fundou o principal monastério na ilha de Iona, na costa da Escócia, em 561. No panfleto da Trinity College diz que não sabem ao certo onde o livro foi feio, mas estudos apontam que ele pode ter sido parcialmente ou totalmente escrito pelos monges em Iona ou em Kells, na Irlanda. Essa dúvida foi gerada, pois de fato a produção começou em Iona, mas o livro precisou ser removido da ilha em 806 d.c., quando Iona foi atacada por Vikings - o ataque resultou na morte de 68 monges. 


Só em 1653, ao final do período Cromwellian (conquista da Irlanda pelas forças do Parlamento inglês, liderado por Oliver Cromwell, na Guerra dos Três Reinos), o livro foi levado para Dublin por motivos de segurança e até hoje se encontra na Trinity College. 

A Trinity College Library contém a maior coleção de manuscritos e livros publicados na Irlanda. Na Old Library, constru[ida entre 1712 e 1732 por Thomas Burgh, podemos visitar: no primeiro andar, a loja da biblioteca, a exposição "Turning Darkness into Light" e o manuscrito original dos evangelhos medievais (Book of Kells, Book of Armagh e Book of Durrow). 

A exposição "Turning Darkness into Light" é magnífica. Os curadores introduzem os manuscritos medievais em um contexto histórico, nos mostram como apreciar a beleza e os significados por trás dessa arte. Eles contam um pouco da história dos monges escribas mostrando todo o processo de criação e decoração dos livros feitos a mão. 


Todas essas informações nos preparam para um encontro maior: o livro de Kells. No final da exposição, antes de termos acesso a biblioteca no segundo andar, temos um encontro com o manuscrito medieval mais valioso da Irlanda. Obviamente, não é permitido tirar fotos. Para tornar a experiência única, todos dias os curadores do museu viram uma página do livro, ou seja, se você voltar lá mais de uma vez, dificilmente verá a mesma página novamente.

Uma curiosidade que lembro de ter lido na exposição é que muitos dos detalhes criados no meio do texto foram feitos para esconder erros de escrita. Achei essa curiosidade tão interessante que ficou gravada na minha cabeça para sempre, levei isso como uma lição de vida: transforme os seus erros em algo belo*.


Eu conheci o livro Book of Kells através da animação irlandesa "The Secret of Kells" do Tomm Moore. Na animação temos alguns fatos históricos, que depois de ter conhecido a "verdadeira" história, consigo identificar com facilidade, como o ataque dos Vikings ao monastério de Iona. 



Não sei se ficou claro, mas o livro leva o nome Kells e não de Iona, porque foi o lugar onde o livro ficou por mais tempo na Idade Média. Depois da invasão da ilha de Iona, os monges se estabeleceram na Abadia de Kells. Sobre a produção do livro, existem diversas teorias, a mais aceita é a que relatei para vocês e que está no panfleto do museu. 

Uma história muito interessante que li no Wikipédia (por isso não sei se é verdade) é que a Abadia de Kells foi saqueadas muitas vezes e o Book of Kells chegou a ser roubado. Nos Anais de Ulster (crônicas da história medieval da Irlanda), consta que no ano de 1006: "o grande Evangelho de Columcille [i.e Columba], principal relíquia do mundo ocidental, foi subtraído sub-repticiamente em plena noite de uma sacristia da grande igreja de pedra de Cenannas [i.e Kells] devido ao seu precioso estojo".

Cenas da animação.
Segundo a minha fonte (Wikipédia cof cof): "O manuscrito foi encontrado meses mais tarde sob um monte de terra, sem a sua capa decorada com ouro e pedras preciosas. [...] A retirada violenta da capa explicaria, ainda, a perda de algumas folhas do início e do fim da obra."  

Vamos combinar que o livro é maravilhoso simplesmente pelos detalhes e riquezas decorativas, mas com essa história cheia de buracos para criação de lendas torna tudo ainda mais mágico!

Para quem ficou tão fascinado como eu por essa história, aqui vai um documentário**, em 7 partes:


PDF do panfleto do The Book of Kells.
*Eles não falam nada disso na exposição, tá? haha Essa sou eu subjetivando a vida.
** Vou assistir agora, então, não sei se ele é realmente bom. Mas parece haha!

Comentários

  1. Nina também é cultura, está pensando o que? haha
    Adooorei o post! *-*
    Eu sinceramente amo a cultura da Irlanda, apesar de conhecer bem pouco...
    Que bom que tenho você para me contar um pouco mais.
    Queria muuuito um dia poder ir para Dublin.. Deve ser um lugar muito lindo!

    Beijããoo
    www.ooutroladodaraposa.com.br

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