Canal da Sophie Kinsella

Qualquer leitor que conhece o PN desde 2015 sabe o quanto eu adoro a autora Sophie Kinsella. Agora em maio, a Editora Record lançou o Minha Vida (não tão) Perfeita. Mas foi através do anúncio de um novo livro, que será lançado em 2018, que eu fiquei sabendo da existência do canal dela.


Até agora a autora tem apenas quatro vídeos postados no YouTube. No entanto, já é possível ver que o seu bom humor não fica apenas nos livros. Em um deles, Sophie faz uma comparação entre espiões e escritores. E o primeiro vídeo foi uma tentativa da autora falar em italiano para agradecer aos fãs que ela encontrou em sua turnê pela Itália.
Surprise Me foi o foco do último vídeo. Ela disse que tinha acabo de terminar de escrever o livro e queria dividir essa alegria com a gente. A história é sobre um casal que ao se darem conta que terão muitos anos juntos pela frente decidem que precisam surpreender um ao outro todos dias (se eu não entendi errado). Mas como estamos falando de Sophie Kinsella é claro qu…

Por que livro nacional é tão caro? - uma explicação simplificada

Olá, gente! Meu nome é Clara Savelli e eu sou autora. Tenho vários livros no Wattpad e um publicado. O publicado se chama Mocassins e All Stars e custa 38 reais.

— NOSSA, CLARA, 38 REAIS - SUA LADRA!

Migos, VAMOS LÁ:

Sabia que do preço do livro, o que fica com autor é só 10%? MUITAS VEZES ainda é bem menos! Quando o autor é inciante e é o primeiro livro dele, o praxe do mercado é 8%.

— NOSSA, CLARA E O RESTO?

WHAAAAAAAAT?



Pelo menos uns 50% ficam com a LIVRARIA. SÉRIO. E tem livraria que cobra MAIS do que 50%, ainda por cima. Já vi livraria que cobra 60% :) Então, assim né...

— MAS CLARA, AINDA SOBRA 30%! PRA ONDE VAI?

Esses 30% são divididos entre a editora e a transportadora do livro (a empresa que leva eles pras livrarias). A transportadora tem seus gastos e a editora também: capista, revisor, editor, diagramador, ilustrador... Só para citar alguns!

No final das contas, como você pode ver, o mercado é de margens de receita MUITO PEQUENAS. Para todos os envolvidos.

Gente, como pode? Essa menina tá #loka.

— MAS CLARA, ISSO NÃO JUSTIFICA O PREÇO!!

Agora que eu te expliquei como o preço é composto, vou te falar porque os livros nacionais são costumeiramente mais caros que os internacionais.

Muitos livros nacionais são autopublicados. Ou seja, não tem uma editora formal. Nesses casos, o autor manda imprimir os livros em uma gráfica, podendo um não ter contratado os serviços de profissionais da área (capista, revisor, editor, diagramador, ilustrador). Se ele contratou, vai embutir o preço deles no preço do livro. Se ele não contratou, deveria ter contratado. O trabalho desses profissionais é o que garante que o livro seja profissional e comercial. Da mesma forma que você quer que respeitem seu trabalho como escritor, é mais do que justo que você respeite o trabalho e a funcionalidade deles. MAS ENFIM, esse é outro papo. O que acontece é que esse amigo autor que vai se autopublicar não tem muito dinheiro, né isso? Então ele imprime poucos livros. Talvez 50, talvez 100, talvez 300...

— AH CLARA, MAS 300 LIVROS É COISA PARA CACETE!!!!

É mesmo? Pensa em editoras que imprimem 30 mil :)
Não é não, amiguinhos. As grandes editoras começam com tiragem mínima costumeira de 3 mil. Sabe o que isso significa? Que eles conseguem desconto nas gráficas por conta da alta quantidade. Muitas vezes eles tem até uma gráfica própria. Quanto maior a quantidade de livros que você imprime, menor o preço da impressão. Quanto menor o preço da impressão, menor o preço do livro. Uma lógica simples.

Além disso, muitos livros nacionais são publicados por editoras pequenas. Nesse caso, a situação do motivo 1 se repete. Ainda que o autor não tenha que fazer tudo sozinho, a editora também não tem capital para investir em altas tiragens (e nem em distribuição para as livrarias, marketing e todo resto do pacote). Dessa forma, os livros continuam tendo um preço muito além do que os leitores esperavam. Os preços da equipe editorial também incidem no livro, é claro. Ninguém trabalha de graça. There's no free lunch.

— MAS LIVRO NÃO TEM IMPOSTO, ERA PRA SER MAIS BARATO!




A nossa Constituição Federal realmente dá imunidade especial aos livros, jornais, revistas e periódicos e ao papel adquirido para sua impressão. PORÉM, a imunidade alcança APENAS os impostos que incidem sobre a OPERAÇÃO - como o ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) e o IPI (Imposto sobre produtos industrializados).

OU "SEJE", as editoras ainda tem que pagar todos os tributos referentes aos seus livros (como, por exemplo, imposto de renda e contribuição social sobre o lucro).

O que isso tudo quer dizer? Realmente, o peso tributário é BEM MENOR para uma editora quando comparado com outras empresas, mas ele não é INEXISTENTE - muito pelo contrário. E claro, quanto menor a editora, mais impacto o pagamento desses impostos tem no - já mega limitado - orçamento.

Eu aprendi essas coisinhas vivendo o dia-a-dia do mercado literário/editorial e achei que valia a pena compartilhar com vocês! Alguma curiosidade?

Comentários

  1. Oi, Clara!
    Nossa, fiquei chocada com a percentagem que o autor ganha. Vocês mereciam muito mais :(
    E tem livrarias que cobram mais caro pelo livros, nesse caso seu percentual aumenta ou o deles que aumenta?

    Beijos,
    Giulia | 1livro1filme.com.br

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    Respostas
    1. O meu percentual nunca aumenta, Giulia! É padrão :)
      O que acontece é que o percentual da editora que diminuí.

      Agora, no caso de autores independentes, que colocam o livro na livraria por conta própria... O percentual do autor diminuí, né? Mas aí ele não ganha necessariamente 10%.

      Veja: se eu mandei imprimir meu livro por conta própria e cada livro saiu por 30 reais (já contando a impressão e todos os outros custos envolvidos, como capistas e diagramação, por exemplo), eu tenho que vender o livro por qualquer preço acima de 30 reais para ter lucro, né? Pois então. Se eu colocar esse livro na livraria pelo preço de venda de 40 reais, isso quer dizer que só 20 reais vem pra mim (no caso de livrarias que cobram 50%). Se for uma livraria que cobra 60%, o valor que vem pra mim é ainda menor... OU SEJA, prejuízo na certa!!!!! Esse é um dos motivos pelos quais vemos tão poucos livros nacionais de escritores independentes nas livrarias! SEM FALAR QUE elas são MEGA RESISTENTES e não gostam de fechar negócios com autores sozinhos, sem o arcabouço editorial. Eu só consegui fazer esse tipo de esquema com duas livrarias (e mesmo assim, perdendo dinheiro).

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  2. Fiquei perplexa com esses dados... eu achava que ia mais grana para o autor... que tenso!!!!

    Bjinhos,
    ❥ AmigaDelicada.com.br

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  3. Eu te entendo HAHAHA já publiquei um romance chamado Cheiro de Sonho e daí, era bem caro e todo mundo reclamou, mas ninguém entende né?
    Ai ai, como eu queria que a Literatura fosse mais valorizada aquiii!


    beeijão flor :)
    http://www.carolhermanas.com.br/

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  4. complicadissimo mesmo hein nina, com certeza o autor devia receber mai!

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  5. Oi Clara, tudo bem?
    Em primeiro lugar, parabéns pela conquista de publicar seu livro! Tenho curiosidade em ler. :)
    Em segundo lugar, fiquei chocada com o lucro quase inexistente do autor. Que absurdo as livrarias ganharem 50% (no mínimo)!
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  6. Oi Clara!

    Que autor nacional não ganha quase nada eu já sabia, mas ver os números assim de forma tão clara me chocou ainda mais!
    É uma pena que as livrarias sejam tão mercenárias!

    Beijos

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  7. É bom saber para entendermos um pouco melhor sobre o mercado editorial que é bem desconhecido no nosso país, infelizmente.
    Bj e fk c Deus
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

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  8. Bem legar ler seu texto, eu tenho um esboço pra ser lançado não consigo pelas taxas e preços que editoras querem cobrar. Aqui no Brasil tudo é tenso.
    Foi muito bom ler mesmo Nina.
    Beijos

    http://www.cherryacessorioseafins.com.br/

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  9. Clara do céu!
    Eu já tinha uma noção do absurdo que são essas porcentagens, mas é sempre muito assustador ver as coisas assim tão bem explicadinhas.
    Só torço para que um dias as pessoas se conscientizem da importância de comprarem diretamente com o autor. O que me leva um questionamento: se vocês autores independentes conseguem fazer com que uma livraria vendam o livro de vocês, é preferível que a compra do mesmo seja feita na livraria para cobrir os custos? Ou melhor que comprem diretamente com o autor?
    Abraços.

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