Canal da Sophie Kinsella

Qualquer leitor que conhece o PN desde 2015 sabe o quanto eu adoro a autora Sophie Kinsella. Agora em maio, a Editora Record lançou o Minha Vida (não tão) Perfeita. Mas foi através do anúncio de um novo livro, que será lançado em 2018, que eu fiquei sabendo da existência do canal dela.


Até agora a autora tem apenas quatro vídeos postados no YouTube. No entanto, já é possível ver que o seu bom humor não fica apenas nos livros. Em um deles, Sophie faz uma comparação entre espiões e escritores. E o primeiro vídeo foi uma tentativa da autora falar em italiano para agradecer aos fãs que ela encontrou em sua turnê pela Itália.
Surprise Me foi o foco do último vídeo. Ela disse que tinha acabo de terminar de escrever o livro e queria dividir essa alegria com a gente. A história é sobre um casal que ao se darem conta que terão muitos anos juntos pela frente decidem que precisam surpreender um ao outro todos dias (se eu não entendi errado). Mas como estamos falando de Sophie Kinsella é claro qu…

3% e a vida

Ano passado, a nossa amada Netflix lançou a série brasileira 3%. Uma ficção científica com forte apelo dramático que apresenta uma sociedade divida entre pessoas que moram em condições deploráveis no Continente e uma minoria que mora no Maralto, privilegiados dos 3%. A trama da primeira temporada apresenta um processo seletivo super rigoroso para selecionar jovens do Continente que ao completarem 20 anos têm a oportunidade de ir para o "lado de lá" e ter uma vida melhor. A série já tem a sua segunda temporada confirmada, mas ainda não foi divulgado a data de lançamento. O que eu quero falar nesse post não é sobre qualidade técnicas e artísticas da série, mas como toda essa temática está bem perto do que vivemos na realidade do "lado de cá".


Como eu disse, a primeira temporada é focada no processo de seleção e quando eu disse que ele é altamente rigoroso, potencialize o que você pensou ao extremo, se você ainda não viu a série. Os candidatos são obrigados a passar por entrevistas que analisam suas condutas, reações e histórico familiar. Depois de passar por essa peneira, eles são desafiados em diversas provas - principalmente em grupo - que testam as diversas capacidades do ser humano. E algo muito interessante é ver o quanto os "recrutadores" estão se importando com quem faz parte desse processo e o que importa para eles. Na série, pessoas chegam a morrer na tentativa de alcançar algo melhor.

E isso tudo me fez pensar: Qual foi o primeiro processo seletivo que você fez na vida? Eu lembro que a primeira vez que minhas capacidades foram testadas para ver ser eu realmente merecia fazer parte de um grupo "melhor" foi para entrar na primeira série do ensino fundamental. Minha mãe me deixou numa sala desse colégio com um monte de crianças. Lembro como se fosse ontem, onde foi e como tudo aconteceu. Uma "tia" fez ditado para testar nossos conhecimentos de escrita e depois destaram nossas habilidades cortando alguns desenhos. Eu não consegui terminar de cortar tudo, porque sempre fui mais cuidadosa e, consequentemente, mais "lerda". Mas fiquem tranquilos, eu passei - e acho que ninguém se feriu no processo. Eles tiveram a precaução de usar tesouras sem ponta.


Depois disso, além das provas tradicionais que somos testados durantes todos os anos para ver se temos capacidade de seguir em frente, normalmente feitas mais para testar o nosso psicológico do que conhecimento. Eu ainda participei de alguns processos, já morando no Rio, para ver se eu era merecedora de uma bolsa de estudos, se eu tinha conhecimentos suficientes para entrar no Ensino Médio de outro colégio somado a uma entrevista com os meus pais, entrevista para saber o meu nível de inglês e, claro, o famoso e temido vestibular - inclusive, a série se promoveu bastante fazendo referência ao ENEM na época em que foi lançada.

Talvez tirando a prova de nivelamento do cursinho de inglês, todos os outros tinham uma certa conotação parecida com os 3%. Todos eles envolviam um número de vagas e os candidatos estavam em buscar de algo melhor para si. O fato era que nem todos iriam conseguir. Hoje, ao chegar na fase adulta, eu vejo o quanto esses processos nunca vão acabar, sempre seremos julgados merecedores ou não de algo.

Na busca por emprego fica ainda mais claro o quanto os "recrutadores" irão ver o que querem, irão tratar as suas milhares de opções como apenas uma porcentagem que precisa ser cortada. Eu estou dando exemplo de emprego e escola, porque são processos pelos quais eu já passei. Mas também podemos fazer analogia com tantas outras questões na sociedade em que somos obrigados a provar que somos melhores que outros para merecer algo



A série nos faz pensar bastante sobre justiça e qual seria a melhor forma de lidar com Pessoas em uma sociedade desigual - o que vamos combinar, não é nada diferente da nossa realidade. Pode ser que não envolvam mortes durante o processo, acredito que muitas mortes sejam consequências da dureza dele. Somos instigados a todo momento a "eliminar" nossos concorrentes, porque, no final das contas, apenas uma porcentagem pequena que terá acesso ao melhor.   

Sobre a série: Eu gostei bastante da primeira temporada como um todo. Me senti desconfortável com algumas atuações, mas também tenho em mente que o cenário da dramaturgia brasileira não está acostumado com obras de ficção científica. A mensagem que é dada na série é muito importante. Não adianta dizer que não gostou da série sem ver todos oito episódios. O crescimento dos personagens é muito interessante e achei que fizeram uma ótimo season finale.
Se você quiser saber mais sobre a série, eu recomendo o vídeo da Ryoko Bel:

Comentários

  1. Oi, Nina!
    Primeiramente, curti bastante o novo layout daqui.
    Realmente desde sempre somos testados e separados. Lembro que eu estava no jardim de infância e era um pouco mais avançada que meus amiguinhos. Fizeram uma prova comigo e me adiantaram uma classe.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Três Anos de Historiar

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  2. Ótima analogia, estamos constantemente sendo testados, sendo tratados como número (principalmente em seleções de emprego).

    Sobre a série não consegui passar do 1 episódio mas ultimamente a galera tem falado bem e pedindo a 2 temporada que em breve darei outra chance.
    O que me incomodou foi a chuva de referências a distopias moderninhas ficou uma salada nesse aspecto, sem falar das atuações...

    Ah e o layout do blog tá lindo!

    Abs

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    1. Eu não sei o que dizer sobre a salada de distopias, porque acabei perdendo essa fase no mundo pop. Mas acho que por ser uma produção brasileira... Não sei, vale a pena pelo menos ver até o final para ver se você continua com as mesmas ideias.

      Obrigada pelo elogio ao lay <3

      beijos

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  3. Oi Nina! Amei seu texto! Eu ainda não vi a série, mas li muito sobre ela e confesso que não tinha relacionado bem a questão do processo seletivo. Eu sei que ele faz parte das nossas vidas, mas sempre fui daquelas que sofri e sofre horrores todas as vezes que passo por algum teste rsrsrsrs Enfim, acho que agora verei a série com outros olhos rs

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Então você vai sofrer bastante vendo essa série, porque eles são desafiados a todo momento haha Espero que um dia você consiga ver, Mi

      beijos

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