Watt, what?

Oi gente! Primeiro quero agradecer por vocês terem me recebido tão lindamente na última sexta. Gostei de saber que as pessoas leram e comentaram, seja aqui, seja no facebook. Hoje vamos falar de coisas mais práticas: uma senhora dica para os autores iniciantes!
Talvez vocês já tenham ouvido falar de um site/aplicativo chamado Wattpad, mas provavelmente sua reação ainda é watt... what??? Ou seja, não faz ideia de que site/aplicativo é esse e muito menos dos benefícios que ele pode trazer para você, escritor iniciante. Calma, jovem padawan, é por isso que estou aqui! Vai abrindo www.wattpad.com aí na outra janela que tenho certeza que você vai sair correndo para lá assim que terminar de ler esse post.

O machismo nosso de cada dia

Hoje eu entrei no Wattpad para ver as notificações do capítulo de Chinelo e Salto Alto que eu postei ontem. Qual não foi minha surpresa ao dar de cara com uma notificação de comentários que parecia fazer parte de uma discussão, postado em um capítulo de Acampamento de Inverno para Músicos (nem tão) Talentosos (meu livro mais famoso da plataforma, finalizado há quase dois anos). Cliquei em cima para ver o que estava acontecendo.

Fiquei horrorizada.

O Wattpad tem uma funcionalidade que permite que as pessoas façam comentários em trechos específicos do livro. É só selecionar o trecho que você quer comentar e escrever o comentário. Por isso, ao lado de algumas partes do livro ficam balõezinhos, conforme a foto abaixo mostra. Esse comentário havia sido feito nessa parte que tem um balãozinho com 67 comentários. VEJA BEM: 67.



Nesse trecho do livro, como vocês podem ver, a Amanda está mandando uma mensagem no celular para outro personagem. Este outro personagem é Bruno, um envolvimento amoroso do início do livro que não é flor que se cheire. Na mensagem, ela o convida para encontrá-la em uma sala secreta do Acampamento para os dois terem uma típica sessão de agarramento. Bruno é realmente um completo idiota, mas Amanda ainda não sabe disso nesse momento. Tá bem? Contextualizados? Agora vamos ao que me deixou horrorizada:

O comentário que deu origem à discussão que eu fui notificada era de uma menina que tinha comentado que a Amanda era uma put* e que merecia ser estuprada pelo Bruno pra deixar de ser otária. Uma outra menina tinha respondido, dizendo que ela era uma idiota por desejar que a personagem fosse estuprada e que beijar gente não tem nada a ver com ser put*. O comentário que eu tinha recebido notificação era da primeira menina, retrucando e se defendendo.

Gente, me deu uma dor TÃO GRANDE no coração ler aquilo. Primeiro porque eu detesto briga (libriana pacifista e diplomática, rs), mas especialmente porque uma briga por conta daquele tipo de comentário era de partir o coração! Entrei para ver os outros comentários daquela parte do livro (lembra? eram 67) e quase caí dura ao perceber que 99% eram do mesmo tipo: xingando a Amanda de put*, vagabunda, dizendo que ela merecia sofrer e daí pra baixo. Quase todos os comentários eram de meninas, menos um - que era de um garoto.

Eu respondi a discussão, pedindo para que as duas parassem de brigar, mas explicando que não podemos desejar um estupro para ninguém, independente do quanto que achemos que a pessoa está tomando decisões ruins. Expliquei também que nós, mulheres, precisamos nos unir. Nos julgar menos, brigar menos e rotular menos! E que a culpa não era dela por pensar daquela maneira. Acho que a menina ficou com raiva, porque acabou apagando o comentário. Fiquei tão triste que já planejei um vídeo sobre o assunto, mas como a coluna estava mais perto, resolvi escrever por aqui também.

A culpa não é dessa menina e eu queria que ela soubesse disso. O que ela pensa e o que ela escreveu - assim como todas as outras 60+ pessoas é só um reflexo da sociedade machista em que vivemos e na qual fomos doutrinadas desde pequenas. Uma sociedade que levanta pedras, julga, rotula e nos faz virar motivos para dor e sofrimento alheio. É lindo postar #nãosejaumporquê, mas é mais lindo ainda parar e pensar quais são as suas ações que, de fato, podem impactar negativamente a vida de alguém e perdurar as concepções errôneas da sociedade. Isso é destrutivo e só faz mal.

É difícil, amigas. Eu ainda vivo em um constante processo de desconstrução de estigmas e de pré-conceitos, mas hoje já tenho ciência de muito mais do que eu tinha quando era uma adolescente, como essas meninas e meninos que costumam me ler. E acho que meu papel, hoje, como escritora e defensora de direitos, é tentar divulgar em meus trabalhos uma desconstrução gradual, mas permanente do que a gente interiorizou como certo, mas na verdade é muito errado.

A Amanda não é put*, vadia, vagabunda e nem nada disso que eu li nos comentários.
E, além de não ser nada disso, ela também não merece ser estuprada.
Ainda que ela fosse tudo isso, ela não mereceria ser estuprada. 
NINGUÉM merece. Ninguém.
Na-da justifica um estupro.

Acampamento de Inverno para Músicos (nem tão) Talentosos é uma história sobre amor próprio, união, perdão e segundas chances. Eu espero que as pessoas que fizeram aqueles comentários tenham continuado a ler o livro e, quem sabe, refletido um pouquinho. A Amanda é só uma personagem de ficção (assim como a Hannah também era), mas existem meninas na vida real que passam pelos mesmos problemas. Por isso, sejamos mais doces. Quantas vezes eu já falei disso aqui, né? Mas é verdade! Nós precisamos aprender a ser mais doces.

Ao invés de julgar, vamos ouvir. Ao invés de rotular, vamos tentar ajudar. Ao invés de desejar o mal, vamos espalhar o bem. Sejamos mais doces, pessoas! O mundo precisa de mais amor, não de mais ódio.

Comentários

  1. Nossa, que bapho! Gente, eu fico imagino como tem gente sem noção nessa vida. E me dói mais ainda ver que mulheres estão desejando isso...
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe da promoção #Sorteio1KSeguidores

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  2. Nossa, que horror!
    Fiquei meio que no choque lendo seu post, e percebi o quanto foi sua surpresa e tristeza. Como falou, infelizmente, ainda estamos num processo de melhora de pensamentos e julgamentos. Espero que o dia, em que nós mulheres seremos mais amigas uma das outras, e saibamos respeitar, chego logo.
    não conheço suas histórias, vou dar uma olhada. Xd
    www.papuff.com

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