Canal da Sophie Kinsella

Qualquer leitor que conhece o PN desde 2015 sabe o quanto eu adoro a autora Sophie Kinsella. Agora em maio, a Editora Record lançou o Minha Vida (não tão) Perfeita. Mas foi através do anúncio de um novo livro, que será lançado em 2018, que eu fiquei sabendo da existência do canal dela.


Até agora a autora tem apenas quatro vídeos postados no YouTube. No entanto, já é possível ver que o seu bom humor não fica apenas nos livros. Em um deles, Sophie faz uma comparação entre espiões e escritores. E o primeiro vídeo foi uma tentativa da autora falar em italiano para agradecer aos fãs que ela encontrou em sua turnê pela Itália.
Surprise Me foi o foco do último vídeo. Ela disse que tinha acabo de terminar de escrever o livro e queria dividir essa alegria com a gente. A história é sobre um casal que ao se darem conta que terão muitos anos juntos pela frente decidem que precisam surpreender um ao outro todos dias (se eu não entendi errado). Mas como estamos falando de Sophie Kinsella é claro qu…

Netflix: Cara Gente Branca

Eu cometi o erro de ler dois textos sobre a série antes de vir escrever o meu: Por que ignoramos 'Cara Gente Branca' e viralizamos '13 Reasons Why'? e Dear White People e o silêncio ensurdecedor da internet. Ambos foram escritos que fazem parte do movimento feminista e pelo menos uma delas, eu tenho certeza que é negra. Enfim, pessoas que possuem muito mais propriedade para falar sobre a série e as questões que ela traz do que eu. E agora, eu estou um pouco insegura para escrever. Nesses textos, elas falaram de como, mais do que bullying, Os 13 Porquês mostra o machismo - e eu concordo totalmente. Mas independente de qualquer medo meu de ser mal interpretada, eu preciso indicar essa série.



Cara Gente Branca (Dear White People) é um série da Netflix baseada em um filme homônimo de 2014. A história tem como protagonista Sam (Tessa Thompson), uma jovem negra militante em uma universidade americana onde os alunos são predominantemente brancos. A série começa justamente após a denúncia feita pela personagem em seu programa de rádio "Cara Gente Branca" de uma festa racista organizada por alunos brancos. A festa chamada Blackface tinha como dress code ir fantasiado de negro. 

O foco da série não fica apenas na Sam. Essa festa abriu toda uma discussão no campus da universidade e o ponto de vista de outros alunos são usados para contar a história, além de mostrar dramas referentes a vida universitária de cada um. Afinal de contas, eles ainda são estudantes com os problemas comuns a essa fase da vida. 


A série consegue ser bem abrangente no que diz respeito ao preconceito e a militância do movimento negro, ou eu deveria diver doS movimentoS. Ela explora as dificuldades que existem dentro do movimento, que como qualquer outro tem diversas vertentes que na maioria das vezes entram em conflito. Vemos a cobrança que existe das pessoas que representam esses movimentos a serem e agirem de uma determinada forma, como o caso da Sam e do Troy (Brandon Bell - estudante negro que está concorrendo para presidente do conselho estudantil e é filho do reitor). A série ainda aborda a questão de relacionamento inter-racial e o preconceito institucionalizado. Acredito ainda ter mais coisas que eu não consigo lembrar agora. 

Talvez eu listando essas questões da série, não façam você se interessar tanto. Talvez com medo de que a série seja muito pesada e chata - apesar que vamos combinar que mesmo que fosse pesada e chata, é sempre bom ver umas verdades. Cara Gente Branca tem um humor maravilhoso, satírico e muitas vezes sarcástico. Os episódios de pouco mais do que vinte minutos fazem com que a gente veja tudo numa tacada só - bem mais rápido que Os 13 Porquês, btw. Trazer o ponto de vista de vários personagens, inclusive de um aluno branco - se você, brancx, estiver se sentindo muito excluído aí *sarcasmo* -, sobre toda essa situação e outras situações que surgem ao longo da série. 


Como eu já deixei escapar em algum parágrafo aqui em cima, apesar do foco ser o preconceito, outras sub-histórias com dramas e tramas universitárixs também são abordados na série. Então, não tem desculpa de falar que não rola nenhuma identificação. Eu particularmente nunca tinha visto uma série com protagonistas e elenco majoritariamente negro que não fosse naquele estilo de comédia "Eu, a Patroa e as Crianças" ou "Todo Mundo Odeia o Chris", que normalmente, criam um esteriótipo sobre os negros e nada realmente sério ou profundo é discutido. 

Cara Gente Branca é um série mega inteligente, engraçada, dramática na medida e muito maneira! Não preciso nem dizer que eu estou super ansiosa para ver a continuação e pretendo ver o filme em que foi baseada. Eu entendo totalmente a preocupação das meninas em relação a ausência de reviews sobre a série - bem diferente do que aconteceu com 13RW que vamos combinar que também trazia um tema nada fácil e bastante polêmico - e espero de alguma forma estar ajudando a reverter esse quadro. A prova de que o preconceito existe está tanto na tentativa do boicote a série, quando foi divulgado o primeiro teaser, quanto no fato de nos calarmos em relação a ela sendo que é uma série excelente e com uma temática mais do pertinente. A coragem de abordar esse tema é a que a torna obrigatória para todo mundo ver! 


A invisibilidade da série chega ao ponto de ter um número muito pequeno de opções de imagens no google. Eu tive um pouco de dificuldade para ilustrar esse review - chocada! A maioria das imagens que encontramos são do filme - aliás, filme que nunca tinha ouvido falar até a estreia da série e pode levar a confusão de quem não sabe da existência dele já que alguns atores estão nas duas produções. Mesmo colocando "dear white people netflix" (faça a experiência você mesmo) depois umas dez roladas de páginas simplesmente acaba. Sendo que durante essas roladas, 80% não tem nada a ver com a série em si, ou red carpet ou são cenas do filme. Para piorar, eu encontrei um meme super racista *respiração lenta e dolorosa*. 

Comentários

  1. Oi Nina!
    Estava super ansiosa para saber se você ia escrever sobre a série e estou muito contente por tê-lo feito. Eu ainda estou tentando arrumar tempo para fazer o mesmo.
    Gostei tanto dessa série por ela evidenciar muitos dos aspectos do movimento negro e você está certo quando diz movimentoS negroS, afinal, não somos todos iguais. Sofremos as mesmas opressões, mas cada um a seu modo. A história da Coco me lembrou muito a história do livro "The Hate U Give".
    Beijos.

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