Resenha: A Mulher na Janela

"A Mulher na Janela" é um thriller psicológico que foi tido como o melhor livro do gênero esse ano. Eu, como adoro esse tipo de livro, apesar de ter um pouco de medinho, já fiquei super curiosa para ler. Como ganhei um exemplar no Encontro de Livreiros e Blogueiros com a editora Arqueiro, coloquei logo ele na pilha do livros para ler em breve e, na primeira oportunidade que encontrei, comecei a leitura. Hoje vou contar para vocês um pouco sobre minhas percepções da história!

 A protagonista, Anna Fox é uma senhora que mora sozinha e sofre de agorafobia, o que faz com que ela viva uma vida muito reclusa. Separada do marido e longe da filha que foi morar com ele, sua vida está sem perspectiva. Ela passa seus dias conversando com pessoas em chats online, assistindo filmes clássicos em preto e branco e enchendo a cara de vinho além de, é claro, ficar espionando os vizinhos pela janela. Ou vocês acharam que o título era à toa? Tudo está pacato e no mesmo marasmo de sempre na vida de Anna e no livro até que os Russells, uma nova família, se mudam para uma casa dentro do campo de visão de Anna e se tornam sua grande obsessão. É dentro da casa deles que Anna vê um acontecimento chocante, que a faz questionar sua sanidade, ao mesmo tempo que tenta entender tudo que é real e aquilo que não é...

Sendo totalmente sincera, "A Mulher na Janela" começa de uma maneira bem chata e parada. O fato do livro ser basicamente um monólogo dentro de uma cabeça agorafóbica pode ter contribuído negativamente para essa lentidão, mas eu já li outros livros com personagens com essa fobia como narradores que não me deixaram tão entediada. Eu tive que me segurar muito e confiar muito que a história ia melhorar para conseguir continuar. Até a página 50 minha vontade de desistir era constante. Depois a história começa a melhorar um pouquinho e é lá pela página 100 que ela engata de verdade, te conquistando o bastante para fazer você virar as páginas rapidamente, querendo saber o que vai acontecer. Então, se eu posso dar uma dica é: persista. E se quiser fazer uma leitura dinâmica das 50 primeiras páginas, fique à vontade.


Todos os acontecimentos maçantes dessas primeiras 50/100 páginas do livro servem basicamente como construção para os acontecimentos posteriores. Precisamos entender que Anna tem problemas sérios de saúde, vício em bebida e é levemente insana. É esse background que vai nos fazer questionar a veracidade da cena que ela nos conta ter visto na casa dos Russells. Será que aconteceu mesmo alguma coisa ou ela está tendo um delírio? Será que existiu mesmo um crime ou é tudo fruto de uma mente altamente perturbada? 

Da mesma forma que nós questionamos, todos os possíveis envolvidos também questionam, fazendo a própria Anna questionar se o que ela viu realmente aconteceu ou era só paranoia das piores. Os personagens secundários da história servem para confundir nossa cabeça e questionar a índole deles. Tudo pode ser totalmente diferente do que parece ser quando temos uma personagem que não é muito confiável nos narrando a história e, pior ainda, quando temos uma personagem que sabe que não é muito confiável e que está também questionando a si mesma.

Não dá para dizer que o livro é totalmente surpreendente, mas dá para dizer que ele tem reviravoltas muito interessantes. Alguns mistérios eu consegui descobrir facilmente, mas alguns me pegaram sim de surpresa. E eu acho que essa é a maior graça desse tipo de livro: tentar costurar os pontos e entender o que está acontecendo na trama, mas ser ainda assim pego de surpresa por algum detalhe que você deixou passar. A escrita do autor, como eu já comentei, é bem arrastada. Mas depois que os acontecimentos do suspense começam a de fato se desenrolar, essa situação é mitigada e fica mais sutil.

É um bom livro do gênero, mas não foi o melhor que eu já li na vida. Vou dar o título do melhor que já li esse ano porque eu ainda não li mais nenhum, rs. Mas é uma leitura que vale a pena, pois em certo ponto começa a te cativar e te envolver. Eu, pelo menos, tomei super as dores da Anna e queria defendê-la, só para constantemente levar rasteiras do enredo. Recomendado para quem gosta do gênero e não se importa com livros de desenvolvimento lento e com linguagem arrastada.


Mais sobre o livro

Título original: The Woman In The Window
Autora: A.J. Finn
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Páginas: 350
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