Resenha: Simon vs a Agenda Homo Sapiens (Com Amor, Simon)

Olá! Hoje temos resenha de um livro adolescente bem gracinha que serviu como fundamento para o filme "Com Amor, Simon" que a gente já comentou aqui no Psicose da Nina. Se você ainda não leu nossa crítica do filme, corre lá! Nessa resenha vamos falar do livro, mas também vamos comparar com algumas coisas do filme :)

Vamos lá, então?


Eu acho que, pela primeira vez, senti falta de não ter lido o livro antes do filme. Por outro lado, fico pensando se ter seguido esse padrão teria feito a experiência do filme pior para mim, porque eu ia ficar reclamando das coisas que foram diferentes, rs. O problema é que foi isso que eu fiz lendo o livro, porque ele estava 'diferente' do filme, que eu tanto tinha amado e ficado tocada! As diferenças entre o livro e a adaptação não são tantas, mas tem algumas cenas incríveis na adaptação que são meras frases no livro ou nem sequer aparecem. Talvez por ter assistido e criado a conexão com a história do filme primeiro, eu gostei mais do filme do que do livro - e isso é muito raro!

Isso não quer dizer que o livro seja ruim: longe disso! O livro é excelente e super divertido. Becky Albertalli escreveu com maestria sob o ponto de vista de um menino adolescente homoafetivo e eu quero muito aprender com ela. Imagino que tenha sido um grande desafio e ela arrasou. Me senti muito próxima de Simon, compartilhando todas as suas angústias e torcendo por seu final feliz.

Simon é um menino adolescente normal, que gosta de comer Oreo, ficar com seus amigos, assistir Reality Shows ruins com sua família e passear com seu cachorro. O único pequeno detalhezinho da sua vida é que ele é gay - e ninguém sabe disso. Morador de uma cidadezinha pequena próxima de Atlanta, na Geórgia, ele viveu com a ideia de que ele está meio fora do padrão. Na verdade, o que percebemos no livro é que ele não se acha errado ou tem medo de se assumir por conta das represálias. Ele se entende e sabe o que sente, mas ainda está em um processo interno de amadurecimento muito forte - como é típico dessa idade - e sente que precisa se trabalhar antes de compartilhar o fato de gostar de meninos com o mundo.



O pequeno probleminha é que a vida tem outros planos para ele. Um outro menino homoafetivo que estuda no mesmo colégio que ele deixa um post com pseudônimo no tumblr da escola, onde todo mundo pode compartilhar o que desejar - é o Creeksecrets. Animado com a perspectiva de alguém passando pelas mesmas dúvidas e inquietações que ele, Simon resolve mandar um e-mail para o rapaz, também usando um pseudônimo e os dois começam a conversar por e-mails constantemente, sem saber quem são de verdade. O filme começa mais ou menos aí, mas o livro começa algum tempo depois, nos dando algumas cenas em flashback para nos fazer entender como a história chegou até ali.

O livro começa com Martin Addison, um colega de escola de Simon, dizendo para ele que leu seus e-mails. Simon usou o computador da biblioteca e esqueceu de deslogar (sempre façam logoff, crianças!). Martin foi usar logo após e quando entrou no gmail, a página entrou direto no e-mail fake de Simon. E não era só o fato de ter lido os e-mails dele: Martin também tirou foto de todas as conversas e agora estava usando-as para chantagear Simon. Ele quer sair com Abby, uma menina nova e muito querida no colégio, que ficou rapidamente amiga de Simon e quer que ele faça essa conexão. O problema é que Abby não está nem um pouco interessada em Simon e pode ou não estar tendo um casinho com Nick, o melhor amigo de Simon, por quem Simon suspeita que Leah - sua melhor amiga - tenha uma queda. Que confusão, hein!

Desesperado para manter seus e-mails em segredo e mais desesperado ainda porque ele não quer expor Blue (codinome usado pelo menino com quem ele troca e-mails), Simon se vê numa enrascada. Será que ele cede à chantagem e tenta ajudar Martin a conquistar Abby, sob pena de magoar não só um, mas basicamente todos os seus amigos? Ou será que ele ignora Martin e corre o risco dele ficar com raiva e resolver vazar os e-mails, expondo não só sua orientação sexual, mas também seu relacionamento com Blue para a escola e a cidade toda?



Acompanhamos o desenrolar da história com a mesma aflição e paixão de Simon, que ao mesmo tempo que tenta lidar com essa situação, começa a se apaixonar perdidamente por alguém que ele não sabe quem é. Junto de Simon tentamos entender quem é Blue e torcemos para que os dois se encontrem ao vivo e vivam uma história de amor fora das telas e sem estarem escondidos por codinomes secretos. Blue é muito reservado e raramente dá dicas sobre quem ele é, então essa é uma tarefa mega difícil - tanto para Simon, quanto para nós.

Apesar de sentir falta de algumas cenas que estão no filme e não estão (ou não estão de forma tão elaborada) no livro, a história em letrinhas não deixou nada a desejar. Ela também trouxe, claro, cenas e e-mails que não foram abordados no filme, especialmente alguns que abordam o despertar da sexualidade, super comum nessa época e que foi imensamente bem trabalhando pela Becky novamente. Uma história para deixar o coração quentinho e instaurar a revolta em nós porque os Simons da vida real muitas vezes tem medo de assumirem de verdade quem são por conta da sociedade nojenta que vivemos.

Todos nós temos direito à uma linda história de amor. E a de Simon é uma lindíssima.
Um livro cheio de representatividade, questionamentos e surpresas, escrito de forma leve e cativante, que deve ser lido por todas as pessoas, de todas as faixas etárias e pode ajudar, com certeza, a derrubar muitos preconceitos. Espalhe a palavra de Simon por aí!


Mais sobre o livro

Título original: Simon vs The Homo Sapiens Agenda
Autora: Becky Albertali
Ano: 2015
Editora: Intrínseca 
Páginas: 270
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